O Arianismo

 O Arianismo: 

O Debate Histórico que Definiu a Divindade de Jesus Cristo

Você já se perguntou como a Igreja chegou às verdades fundamentais que professamos hoje? A história


da fé cristã é uma jornada de defesa da verdade revelada, e uma das batalhas mais importantes ocorreu no século IV, contra uma doutrina que ameaçava o coração do cristianismo: o Arianismo.

O que é Heresia? (Para Entender o Contexto)

No vocabulário da fé, a palavra "heresia" deriva do grego haíresis, que significa "escolha",,. Uma heresia ocorre quando um batizado escolhe negar ou duvidar de uma verdade de fé que foi definida e ensinada pela Igreja. Essa negação deve ser persistente (pertinaz) para que o indivíduo seja considerado um herege. O combate às heresias, como a ariana, foi crucial para proteger a fé e a unidade da Igreja.

O Nascimento da Heresia Ariana: Personagens e Doutrina

O Arianismo surgiu no século IV e atacou a verdade mais central da fé cristã: a plena divindade de Jesus Cristo.

O Presbítero Ário

O movimento foi liderado por Ário (c. 250–336 d.C.), um presbítero da cidade de Alexandria. Ário, que estudou com Luciano de Antioquia—ele próprio influenciado pelo adocionista Paulo de Samósata—, começou a defender a doutrina de que Jesus, o Filho de Deus, não era Deus eterno.

A Doutrina Subordinacionista

A essência do Arianismo é a crença de que Jesus não era consubstancial (da mesma substância) nem coeterno com Deus Pai. Para Ário, Jesus não era o próprio Deus, mas sim uma criatura, embora fosse a primeira e mais perfeita de todas as criaturas feitas por Deus Pai. Sua célebre frase resumia essa ideia: "Houve um tempo em que Deus não era pai". Ao reduzir Jesus a um ser subordinado e criado, o Arianismo negava a sua plena divindade.

Essa doutrina espalhou-se rapidamente, conquistando muitos seguidores, incluindo bispos, líderes eclesiásticos e até mesmo alguns imperadores. A crise teológica ameaçou profundamente a unidade da Igreja, exigindo uma resposta imediata e universal.

O Grande Evento: O Concílio de Niceia (325 d.C.)

Diante da ameaça de divisão causada pelo Arianismo, o Imperador Constantino (que não fundou a Igreja, mas agiu por preocupação com a unidade e a paz do Império) convocou o Primeiro Concílio de Niceia no ano 325 d.C. Este foi um marco na história da Igreja, estabelecendo precedentes para futuros concílios.

O Defensor da Ortodoxia: Santo Atanásio

No Concílio, o principal opositor de Ário e defensor da fé tradicional foi Santo Atanásio. O debate não

era apenas acadêmico; tratava-se de uma questão de salvação: se Jesus não fosse plenamente Deus, a redenção da humanidade estaria comprometida, visto que somente o próprio Deus pode salvar o ser humano do pecado.

Os bispos reunidos, liderados por Atanásio, condenaram formalmente o Arianismo e reafirmaram a divindade e a igualdade de Cristo com o Pai.

A Definição do Credo Niceno


O Concílio de Niceia formulou o Credo Niceno com o objetivo explícito de refutar a doutrina ariana. Nele, a Igreja estabeleceu a verdade dogmática de que Jesus é:

“Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.

A palavra "consubstancial" (homoousios) afirmava claramente que o Filho é eterno e da mesma essência divina do Pai, e não uma criatura.

Consequências e Importância na Evolução da Igreja

Embora condenado em Niceia, o Arianismo não desapareceu de imediato e continuou a influenciar imperadores e líderes eclesiásticos por várias décadas.

A Condenação Definitiva

A doutrina foi definitivamente condenada no Primeiro Concílio de Constantinopla no ano 381 d.C. Este concílio não apenas reiterou a condenação do Arianismo, mas também reafirmou e consolidou a doutrina da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).

O Legado do Arianismo

O combate a essa heresia foi um dos momentos mais importantes na evolução da Igreja, pois forçou-a a:

1. Definir a Identidade de Cristo: O Concílio de Niceia estabeleceu, com termos teológicos precisos, que Jesus é plenamente Deus e plenamente homem, uma verdade essencial que permanece o pilar da fé.

2. Consolidar a Trindade: A necessidade de refutar a subordinação de Cristo levou à plena definição de que as três Pessoas divinas são iguais em essência e eternidade. A formulação do Credo Niceno-Constantinopolitano serviu para proteger a fé contra distorções e garantir a fidelidade à tradição apostólica.

3. Estabelecer Precedentes: A reação da Igreja em Niceia marcou o nascimento da linguagem dogmática formal, essencial para proteger a verdade revelada ao longo dos séculos.

Hoje, a negação da plena divindade de Cristo ecoa em movimentos modernos, como os Cristadelfianos e as Testemunhas de Jeová, que repetem o erro de Ário ao reduzir Jesus a uma criatura, ainda que elevada. A condenação histórica do Arianismo serve como um lembrete constante da importância de proteger a verdade sobre quem é Jesus.



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